terça-feira, 21 de setembro de 2010

Geração Z: quem são os consumidores do futuro?

Nascidos junto à tecnologia, eles mostram-se mais exigentes, inquietos e querem marcas sustentáveis
Por Sylvia de Sá, do Mundo do Marketing | 14/09/2010
sylvia@mundodomarketing.com.br

Muito já se falou sobre a geração Y. Agora chegou a vez da Z. Formado por crianças e adolescentes – futuros consumidores – esse grupo já desenha algumas tendências que devem despertar a atenção do mercado. Mantendo algumas características dos jovens da Y, a Z aparece cada vez mais preocupada com a sustentabilidade e disposta a não pagar por produtos e serviços que podem ser encontrados gratuitamente na internet.

O conceito de gerações, antes muito utilizado pela área de recursos humanos, ganha importância também no mercado. Mesmo não sendo possível rotular pessoas apenas de acordo com a sua faixa etária, a definição pode facilitar o conhecimento e o desenvolvimento da estratégia das empresas. Semelhantes à Y, a Geração Z também é inquieta, menos fiel às marcas e acostumada a fazer tarefas múltiplas. A diferença, no entanto, é que a nova geração tem todas as características de forma mais acentuada, pois se desenvolveu junto com os avanços tecnológicos mais recentes.

“A geração Z já nasceu com o joystick, o controle remoto e o celular no berço, enquanto a Y viu isso acontecer. Se a Y quer as coisas rápidas, a Z muito mais, ela não sabe o que é o mundo sem tecnologia”, aponta Paulo Carramenha, Diretor Presidente da GFK CR Brasil, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Consumidor menos previsível
Em relação à idade, a geração Y é formada por jovens de 20 a 30 anos e a Z por crianças e adolescentes de até 17 anos, enquanto a X é composta por adultos de 30 a 45 anos. Em sua maioria, a X nasceu após acontecimentos como a chegada do homem à lua e viu surgir o videocassete e o computador pessoal, mas passou por um momento de instabilidade financeira, o que não aconteceu com os jovens da Y, muito mais inseridos no mercado de consumo.

A Y, além de ter se desenvolvido numa época de prosperidade econômica, também testemunhou grandes avanços tecnológicos, como a internet, o que fez com que crescessem estimulados por atividades e realizando tarefas múltiplas. As características, entretanto, não são suficientes para definir um grupo de pessoas, que sofrem diversas influências sociais, culturais e econômicas que acabam por refletir no comportamento.

“Cada vez mais fica claro que o consumidor é menos previsível do que era no passado. Estamos tentando entender o tempo todo o que mudou. Antes de serem de gerações diferentes, esses consumidores são também pessoas, com necessidades, expectativas e valores que vão além da idade ou do ano de nascimento”, diz Carramenha.

Jovens não querem pagar por conteúdo
Cabe ao Marketing, então, selecionar segmentos de pessoas que tenham um comportamento de consumo semelhante. “As gerações estão ficando cada vez mais próximas. Se eu falar da X, por exemplo, sempre existiu um pé atrás em relação à compra pela internet. Mas com o desenvolvimento do serviço, hoje essas pessoas estão mais confiantes na hora de comprar”, explica Ana Barbieri, Professora do curso “Cultura Jovem: as gerações X, Y e Z”, do CIC ESPM – Centro de Inovação e Criatividade, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Para as empresas é essencial entender uma característica fundamental da geração Y e, principalmente, da Z: eles querem pagar cada vez menos por produtos e conteúdo. Fazer downloads gratuitos de músicas, filmes e livros é um hábito comum a esses consumidores, que não pagam por isso com a mesma frequência que a geração X.

“O que eles mais compram são produtos relacionados à moda e à tecnologia, especialmente celular. Além disso, apesar dos jovens da geração Z ainda não estarem inseridos no mercado de consumo, eles influenciam os pais na hora da compra, fazem pesquisa na internet e vão à loja física”, aponta Ana.

Sustentabilidade e marcas transparentes
Outra tendência que já se desenha entre os indivíduos da Y – e deve ficar ainda mais relevante na Z – é o apelo por produtos e serviços sustentáveis. “Os jovens estão mais preocupados com o meio ambiente e com causas sociais, mais do que a geração anterior, que é muito consumista. Eles querem escolher melhor, saber que a marca contribui para a sustentabilidade e para buscar o consumo consciente”, diz Carramenha, da GFK.

A transparência das marcas também é um atributo muito valorizado pelos jovens da geração Y. “As marcas que souberem entregar conteúdo para esse consumidor se darão bem. As empresas que querem se comunicar com o jovem têm que fazer algo que eles gostem e que também esteja ligado à marca. As companhias devem ser verdadeiras e conhecer os consumidores”, ressalta Ana, da ESPM.

A estratégia vale também para a geração Z, que representa os consumidores de amanhã das empresas. É preciso que as marcas mantenham um diálogo desde agora para manter um vínculo forte e um relacionamento estreito no futuro. É o que faz a Oi, trabalhando plataformas que falam diretamente com esse público.

Conexão com os jovens de espírito
A marca que surgiu há oito anos conta hoje com investimentos em música, moda, esportes e cultura. Um dos canais mais fortes da empresa é a Oi FM. A rádio presente em 10 cidades é um dos principais exemplos de como a operadora de telefonia consegue se conectar aos jovens e fortalecer sua marca entre consumidores, sem esquecer dos prospects.

“A Oi surgiu com a preocupação de ser uma marca voltada para pessoas de espírito jovem. Essa forma de comunicar visa definir a identidade da marca. Medimos o sucesso da Oi a partir da relação emocional que as pessoas têm com ela”, diz Flavia da Justa, Diretora de Comunicação de Mercado da Oi, em entrevista ao Mundo do Marketing.

O foco da Oi nos “jovens de espírito” prova que, muito mais do que uma divisão por faixa etária, é necessário entender os consumidores e seus estilos de vida. “As pessoas querem continuar jovens. As marcas devem trabalhar os estilos de vida. Hoje não há uma grande massa para que as empresas falem tudo igual. Não dá para dizer que uma pessoa de 30 anos seja muito diferente de uma de 25”, acredita Ana.

Entender as diferenças entre as gerações ajuda na construção da estratégia das empresas, mas não se pode deixar de lado o perfil de cada consumidor. “O mais importante é perceber que, independentemente de idade e geração, os consumidores são pessoas. As marcas se relacionam com seres humanos”, aponta o executivo da GFK.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Meio bilhão para o consumo em 2010

Grandes redes aproveitam o bom momento do setor para investir em reformas e novas lojas no Paraná


Com o consumo em alta, redes de supermercados, shopping centers e lojas de eletroeletrônicos e de material de construção estão acelerando os investimentos em 2010. As principais redes de varejo no Paraná deverão investir cerca de R$ 500 milhões em ampliações, novas lojas e reformas até o fim do ano para dar conta do aumento da demanda, segundo levantamento feito pela Gazeta do Povo. Estima-se que sejam gerados cerca de 4 mil empregos com os projetos.
No embalo do crédito e da evolução do emprego formal e da massa salarial, o comércio deve registrar recorde de vendas em 2010 e superar o avanço de 2007, o melhor até agora da série histórica iniciada em 2001. Naquele ano, as vendas do varejo cresceram 9,6%, segundo o IBGE.

A projeção para 2010 é que as vendas aumentem entre 10% e 11%, segundo Luiz Goes, analista senior da GS&MD Gouvêa de Souza, consultoria especializada em varejo. “O setor atravessou bem a crise a partir do fim de 2008 e agora reforça investimentos para aproveitar o bom momento. Será um dos melhores anos para o varejo”, acrescenta.
Para o consultor da Federação do Comércio do Paraná (Fe¬¬co¬¬mércio) Vamberto Santana, o aquecimento de alguns setores da economia, como a construção civil, tem ajudado a elevar o valor dos salários. Além disso, no segundo semestre, várias categorias de peso devem conseguir reajuste real nas negociações salariais, o que deve colocar mais dinheiro em circulação na economia.
O consumo está sendo puxado também pelo aumento do poder de compra das classes C e D. “Essa população já compra as mesmas coisas que a classe B, a diferença é que ela paga em mais parcelas. Se a classe média alta adquire uma tevê de plasma em quatro vezes, a classe C paga em 12, 15 vezes”, diz Marcio Pauliki, superintendente da MM Mercado Móveis. Maior rede de eletroeletrônicos do estado, a empresa tem 80% dos clientes nas classes C e D. Para esse ano está programada a abertura de 25 lojas no Paraná e Santa Catarina, com investimentos de cerca de R$ 10 milhões. Com previsão de crescimento de 40% em 2010, a empresa deve encerrar o ano com 140 lojas.
Dos cerca de R$ 2 bilhões que o Walmart programou para o Brasil em 2010, R$ 77,5 milhões já estão confirmados para o Pa¬¬raná – entre reforma e abertura de cinco novas lojas. Ao todo serão gerados 725 empregos. Do total de recursos, cerca de 10% vão para as que serão abertas na região metropolitana de Curitiba (Lapa e Pinhais) da bandeira Todo Dia, voltada para as classes D e E.
O Condor, por sua vez, está investindo R$ 80 milhões na abertura de três novas lojas – Fazenda Rio Grande, Cajuru e Água Verde – e na reforma de outras duas. Com previsão de crescer 20% em 2010, a rede de supermercados parananense deve fechar o ano com receita de R$ 1,7 bilhão. “Não apenas mais pessoas estão comprando, mas quem já compra está aumentando o seu ticket médio. Produtos como laticínios, congelados e de higiene e limpeza ganharam espaço nos carrinhos da população de menor poder aquisitivo”, diz o presidente da empesa, Pedro Joanir Zonta.
O crédito voltou e com prazos mais longos, o que tem estimulado não apenas as compras de móveis e eletroeletrônicos, mas também de material de construção. Metade das vendas da rede de lojas de produtos para construção Balaroti, com atuação no Paraná e Santa Catarina, é a prazo, segundo Eduardo Balarotti, diretor de marketing e vendas. Neste ano o grupo já abriu uma loja em Ponta Grossa e se prepara para inaugurar mais uma em Pinhais, nos próximos dias, e outra no Pinheirinho. O setor também vem contando com a ajuda da redução do IPI, que foi renovada até o fim do ano. “Considerando as novas lojas, devemos crescer 10% em 2010”, afirma.
Novos concorrentes
O aumento do consumo está atraindo também novas empresas de varejo para o Paraná. Segunda maior rede de eletromóveis do México, com faturamento de R$ 6 bilhões, a Coppel desembarcou no Brasil em abril, com a abertura de uma loja em Curitiba, e deve abrir mais duas lojas na região metropolitana. Estimativas de mercado dão conta que os recursos aplicados pelo grupo mexicano devem chegar perto de R$ 120 milhões. Além da Coppel, a brasileira Etna, do varejo de móveis e artigos para casa, inaugura sua loja em outubro em Curitiba, e a francesa Decathlon, de materiais esportivos, abriu em maio a sua unidade na capital.

Fonte: Gazeta do Povo – Caderno Economia - 15.08.10
http://www.gazetadopovo.com.br/economia/conteudo.phtml?tl=1&id=1035839&tit=Meio-bilhao-para-o-consumo-em-2010